A Educação de Jovens e Adultos no Brasil e a Influência de Paulo Freire

Bem vindo ao Blog de discussão sobre Paulo Freire e a EJA no Brasil.

Esse blog foi criado no contexto das aulas de Temas Fundamentais das Ciências da Educação do curso de Pedagogia Noturno na UFMG no primeiro semestre de 2010, com o objetivo de compreendermos a influência desse educador nas práticas educacionais de EJA no Brasil e no uso de tecnologias como recurso didático na EJA, particularmente na região metropolitana de Belo Horizonte.

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quinta-feira, 8 de julho de 2010

Informática e EJA

O uso do computador na alfabetização de adultos

Relato de experiência de uma ex-monitora/professora do Proef1

Durante os dois anos que trabalhei como alfabetizadora de adultos no Proef1 (Projeto de Ensino Fundamental / 1º segmento) tivemos a oportunidade de desenvolver um projeto que possibilitasse os estudantes de usarem o computador a cada 15 dias para realização de atividades pedagógicas.

O objetivo do projeto não era ensinar computação para os estudantes e sim, a partir de produções coletivas ou individuais realizadas na sala de aula, utilizar o computador para digitação e impressão desses textos (histórias, recontos, cartões de visita (do trabalho deles), cartões de comemorações) e para pesquisa na internet. Além desses trabalhos o mesmo foi utilizado para várias aulas de geografia com a utilização de recursos de mapas em sites específicos que atendiam as temáticas estudadas.

Apesar da maioria dos estudantes não dominarem, com fluência, a leitura e a escrita conseguiam desenvolver as atividades com o auxílio dos colegas que dominavam a língua escrita ou com a professora. Além disso, foi a oportunidade de perceberem e de ser trabalhado: a necessidade das segmentações em uma frase; o uso da vírgula e do ponto final; a diferença entre letras maiúsculas e minúsculas; o uso de letras maiúsculas no início de frases.

Avalio que o trabalho no laboratório de informática com os estudantes de alfabetização da EJA foi positivo e produtivo, apesar das dificuldades apresentadas durante o uso dos equipamentos (dificuldades de manusear o mouse, dificuldades no uso do teclado que não está em ordem alfabética, dificuldades de executar alguns comandos que dependiam da leitura). Percebi que alguns aspectos da escrita que não eram compreendidos em sala de aula foram melhores compreendidos nos usos do laboratório, tais como: a diferença entre letras maiúsculas e minúsculas; a necessidade da segmentação; a compreensão onde começava e terminava uma palavra, entre outros.


Publicado por Simone Maria Bandeira Moutinho, Pedagoga formada pela UFMG

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Uma experiência com jornal escolar na EJA (relato de uma ex-monitora)

Este relato é de uma ex-monitora do Proef1 (projeto de extensão universitária da UFMG que atende turmas de educação de jovens e adultos do primeiro segmento)

Relembrando minha experiência de 3 anos na EJA (Educação de Jovens e Adultos) como monitora/professora do Proef1, reflito aqui alguns aspectos sobre mídia (jornal impresso e televisão), sistema de informações e seus usos na EJA.

Durante o segundo e terceiro ano que estive no projeto (2007 e 2008, respectivamente) foi proposto, como prática pedagógica, a elaboração de um jornal escolar com edição semestral que deveria ser desenvolvido com os estudantes. Partindo do princípio de Paulo Freire, de que os educandos fazem parte de seu processo de aprendizagem, a proposta foi feita aos mesmos que se revelaram interessados no assunto.

Foi realizada várias oficinas sobre elaboração de jornal conosco, para posteriormente trabalharmos com os estudantes. Quando começamos os trabalhos com os educandos, nada foi imposto, pelo contrário: o layout do jornal e a escolha de quais editoriais seriam importantes estarem no mesmo foram escolhidos pelos próprios estudantes. O mesmo aconteceu com as escolhas dos editoriais por turma e dos temas trabalhados em cada edição.

Durante todo o trabalho, das três edições de jornais que participei, foi possível discutirmos os objetivos do jornal (para que, para quem), as intenções e escolhas de seus assuntos e editoriais (por que um assunto e não outro, por que um editorial e não outro), as diferenças entre linguagem falada (gravações de entrevistas) e linguagem escrita (transcrição e reestruturação de entrevistas) e sua funcionalidade (comunicação e informação). Todo o trabalho foi realizado durante as aulas através de várias oficinas, produção de texto e análise da escrita e da fala, além dos próprios educandos realizarem as entrevistas e tirarem as fotos para o jornal.

Pensando no que Paulo Freire sempre discutiu sobre leitura crítica do ato de ler e escrever e sobre as mídias e seus sistemas de comunicação, reflito que com essa prática pedagógica foi possível levar os estudantes a compreenderem o ato de leitura e escrita como escolhas intensionais e que o jornal, como outras mídias comunicativas, não são neutros, ou seja, carregados de verdades absolutas. Não sendo neutros são atos, sistemas e objetos repletos de escolhas e intensões. Essa reflexão foi tão profunda, nas turmas que trabalhei, que na segunda edição já conseguiam perceber que as informações, dos jornais que circulam na cidade e que passam na televisão, não são totalmente verdadeiras e que alguém as informações a serem impressas ou passadas na televisão.


(Publicado por Simone Maria Bandeira Moutinho - Pedagoga formada pela UFMG e ex-monitora do Proef1)